péricles cavalcanti

BIOFONOGRAMA

Por Péricles Cavalcanti

BIOFONOGRAMA,


Nesse meu novo álbum, cujo título justapõe palavras que remetem à vida e à gravação sonora, reuni onze canções inéditas e apenas uma regravação: “Aconteceu”, lançada por Adriana Calcanhotto, mas que eu mesmo nunca tinha gravado.E, sim, todas elas devem sua motivação principal a fatos autobiográficos – ou a situações que compartilho com todos, nestes nossos tempos tão complexos e difíceis.

Assim é “Ésquilo”, uma das minhas composições mais recentes. Ela nasceu da apreensão com tantas guerras arbitrariamente deflagradas e da lembrança da tragédia “Os Persas”, do grande dramaturgo grego Ésquilo, que viveu no séc. V a.C., na qual ele dá voz aos perdedores na batalha em que os gregos foram vencedores.

O tema da complexidade do mundo também aparece em “Bala de Prata”, canção que abre o álbum, e em “Amor e Ralação (Viva a Vida!)”, uma pequena crônica sobre o cotidiano de uma mulher casada, com filhos e que trabalha fora.

Há nesse meu “Biofonograma” um punhado de canções sobre as singularidades das relações amorosas – caso específico de “Blues do Amor Demais” (cuja gravação conta com a beleza do trompete de Luiz Claudio Faria, que também participa brilhantemente de “Nas Suas Pernas”). Outras têm conotações eróticas mais explícitas, notadamente, em “Pagode Gastronômico”, cuja composição me aproximou de alguns sambas do maravilhoso Dorival Caymmi.

Em “Come Si Fa Un Grande Amore”, em que arrisquei escrever uma canção em italiano, que tem, ainda, o belo sax-soprano de Marcelo Monteiro, devo agradecer, especialmente, à professora Michaela Pivetti, pela sua gentil e importante revisão crítica de minha letra.

Nas duas canções mais pop do álbum, tive colaborações fundamentais: Em “Menina Levada (na Pisada)”, Pipo Pegoraro – que além de ser meu coprodutor é, também, meu parceiro nessa composição – arranjou e tocou bateria e baixo, armando uma cama confortável e suingada para a sanfona sempre inspirada de Gabriel Levy.

Para “Amor e Ralação (Viva a Vida)”, Guilherme Held arranjou e tocou todas as guitarras, brilhantemente, como sempre.

Nas duas canções mais pop do álbum, tive colaborações fundamentais:

Vale muito destacar a bela participação vocal de Kika Carvalho nessas duas gravações a que acabo de me referir, mas, também, em “Bala de Prata”, cujo ótimo arranjo para flauta e sax-barítono foi escrito por Marcelo Monteiro, e em “The Open Door”, uma canção folk que fiz sobre poema que Rudyard Kipling escreveu depois que esteve no Brasil.

Por último, mas não menos importante, tenho que destacar a participação inestimável de Bruno Serroni, que escreveu os arranjos e tocou os cellos em “Fração de Segundo” – a mais “filosófica” das canções neste “Biofonograma” – e em “Aconteceu”. Nesta gravação de “Aconteceu”, ainda tive o imenso prazer de contar com a participação super especial da grande cantora portuguesa, Cristina Branco, que já havia feito uma bela interpretação dessa música em seu álbum “Corpo iluminado”, de 2001.

A faixa que fecha o álbum, a mais intimista de todas, é a mais antiga entre todas as inéditas. Foi composta – na época considerada por mim não satisfatoriamente concluída – ainda nos anos 90, quando meus filhos, nascidos aqui em São Paulo, eram crianças. “Pernambuquinha e Baianinho” brinca (faz um jogo de espelhos) com o fato de meus pais serem, ele de Pernambuco, ela da Bahia.

Tudo isso faz de BIOFONOGRAMA o meu álbum mais diversificado em repertório, sonoridades, formato das faixas, arranjos e gêneros musicais. E, no entanto, é o que se desenvolve e resolve com um conceito mais coerente em relação às minhas influências, habilidades, estilo e, até, biografia.

Lançamento

BIOFONOGRAMA

capa do BIOFONOGRAMA - por Cecilia Lucchesi

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Péricles Cavalcanti

Quem é Péricles Cavalcanti


Péricles Cavalcanti - Fotografia: Nayron Rodrigues -2026
Fotografia: Nayron Rodrigues -2026

Nascido no Rio de Janeiro em 1947 e criado em São Paulo, o compositor, cantor e instrumentista é filho de mãe baiana e pai pernambucano. A sua obra une erudição, filosofia (curso que frequentou na USP) e cultura popular. É definido pela crítica pela sofisticação, pela delicadeza e pelo humor da sua "brasilidade pop".

Ainda na adolescência, conheceu Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa. Em 1969, mudou-se para Londres, onde conviveu com os baianos exilados.

Começou a compor profissionalmente em 1973. A sua primeira música gravada foi "Quem Nasceu?", na voz de Gal Costa (1974). Caetano Veloso tornou-se um grande amigo e intérprete recorrente da sua obra.

A partir da década de 1990, Péricles passou a atuar como intérprete, arranjador e produtor dos seus próprios discos. É um compositor gravado por lendas da MPB e novos talentos, incluindo Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Adriana Calcanhotto, Cássia Eller, Arnaldo Antunes, Tulipa Ruiz, Céu e Mallu Magalhães. Em 2012, o disco homenagem "Mulheres de Péricles" reuniu 17 cantoras para reinterpretar a sua obra.

Discografia:

Lançou mais de 10 álbuns de estúdio desde a estreia com Canções (1991) — que lhe rendeu o Prêmio APCA de Melhor Compositor — até os trabalhos mais recentes, como Desconectado? (2024), Compositor (2025) e agora Biofonograma (2026).


Trilhas Sonoras:

Compõe para o cinema, televisão (especiais da TV Cultura) e teatro (com os grupos Asdrúbal Trouxe o Trombone e o Oficina de Zé Celso).


Literatura:

É coautor dos livros O Canto das Musas (2012) e Fabulações (2024), nos quais musicou poemas clássicos da língua portuguesa e fábulas de Esopo.

Discografia

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